Cláudio Fernando Lascoski, mais conhecido como Dinho Lascoski, é um ilustrador e designer de Ponta Grossa, PR, que hoje vive em Santa Catarina. Autodidata, aprendeu tudo que sabe por conta própria, através da internet e de livros, além, é claro, da observação e prática. “O aprendizado é diário e constante”, pontua.

Influenciado pela cultura pop, suas ilustrações carregam críticas à sociedade e promovem questionamentos super importantes. Sem medo de expressar suas opiniões, sente dificuldade em ficar calado em meio a “todo esse preconceito, intolerância e desinformação”, como ele mesmo define.

Dinho consegue sintetizar seus pensamentos de forma brilhante em cada ilustração que produz. “Faço as artes digitalmente e sempre carrego comigo um caderno, onde escrevo e esboço sem deixar que as ideias fujam”, revela.

Para que você possa conhecer ainda mais sobre Dinho e seu trabalho incrível, batemos um papo com ele sobre política, criatividade e inspiração. Confira!

Há 4 anos, nós batemos um papo aqui para o site. De lá pra cá, fica muito visível sua evolução e até uma mudança nos temas abordados em suas ilustrações. Falar sobre política virou uma necessidade?
Sim, principalmente uma necessidade pessoal de expressão e desabafo. O assunto foi me contaminando e se tornando naturalmente um dos temas principais. Difícil ficar indiferente no meio de todo esse preconceito, intolerância e desinformação. Há um relacionamento tóxico e inconsequente entre a maioria dos eleitores e políticos, que mostra o quanto ainda a sociedade é imatura.

Eleição está parecendo jogo do bicho: com base apenas em intuição e esperança, o povo escolhe um número que representa um animal e tenta tirar a sorte grande depositando todas as fichas e esperança nele, achando que assim, vai mudar sua vida para melhor. A diferença é que, no jogo do bicho, se você apostar em um animal, com muita sorte ainda tem chance de ganhar alguma coisa.

O voto precisa ser mais racional e consciente, acho que precisamos prestar mais atenção em planos de governo e menos em populistas com promessas vagas de salvar o mundo.

Quem decide se posicionar, já tem que estar preparado para, no mínimo, ganhar alguns insultos, isso quando não chega em casos mais extremos.

Com essa polarização, expressar nossas opiniões se tornou um ato político e até perigoso. Você acha que os artistas brasileiros andam com medo de se posicionar?
Acredito que sim. Quem decide se posicionar, já tem que estar preparado para, no mínimo, ganhar alguns insultos, isso quando não chega em casos mais extremos. É preciso ter estômago pra tudo isso, mas ainda temos muitos artistas fazendo sua parte e se posicionando. A arte tem um papel fundamental de debate na sociedade e é desperdício não usar essa ótima ferramenta de conscientização, aprendemos muito com ela. Mais do que nunca, está sendo necessário cada um colaborar como pode para tentar reverter esse cenário caótico.

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É impossível agradar todo mundo, ainda mais quando tocamos em assuntos que causam tantas discussões. Como você lida com as críticas negativas?
Não tenho muito problema em relação a isso, enquanto o assunto estiver incomodando, significa que devo continuar.

Algumas de suas ilustrações já foram compartilhados por artistas, políticos e até alguns portais famosos. Sentir que nosso trabalho está sendo reconhecido é uma sensação incrível, né? Como você se sente em relação a isso?
Não vou mentir, ver pessoas que acompanho e admiro, compartilhando e indicando meu trabalho é extremamente recompensador. Sinto que está fluindo e tomando uma proporção bem bacana. Me sinto incentivado.

Sobreviver. Parece uma meta bem ambiciosa para 2020.

De onde costumam vir suas inspirações e como exercita sua criatividade?
O exercício está principalmente na observação, não tenho hora e nem lugar pra isso. A inspiração pode vir de absolutamente qualquer coisa ou situação: filmes, artigos, livros, games, trocadilhos, viagens ou discussões.

O que têm inspirado você? O que anda consumindo? 
Curto bastante obras com críticas sociais, como os filmes de Kleber Mendonça Filho e Fernando Meirelles. Também sempre fui fascinado por ficção científica e pelo surrealismo, como o de David Lynch e os livros de Haruki Murakami.

Minha playlist de músicas, atualmente, é uma mistura de punk rock, jazz, indie, blues, folk, entre outras coisas.

Dos artistas contemporâneos, quais você mais gosta?
Banksy, Laerte, Joan Cornellà e André Dahmer.

Quais são suas metas e projetos para esse ano?
Sobreviver. Parece uma meta bem ambiciosa para 2020.