Recentemente, o ECAD divulgou uma lista das músicas mais executadas nas rádios brasileiras em 2016, nessa lista, das 50 músicas mais executadas, 42 foram sertanejo, 4 foram funk/pop, 2 pagodes e 2 internacionais.

Esse resultado tem muitos pontos a serem observados, dentre eles, o que mais me chamou a atenção é o poder das grandes emissores de rádio no Brasil, viajando por diversos estados, percebi a falta de critério e também a falta de interesse em ouvir o público e simplesmente deixar a playlist limitada aos 20 maiores sucessos do momento tocando desenfreadamente num repeat eterno com requintes de tortura chinesa.

Isso vai na contramão daquilo que o ouvinte seleciona para ouvir. O Paralelo é simples, na rádio eu ouço o que me é oferecido, no streaming eu escolho o que ouvir, e essa simples escolha se torna uma revolução pra indústria em todos os sentidos.

Voltando no primeiro parágrafo, podemos comparar a lista do ECAD com a do Spotify e o top five Brasil também consta 3 duplas sertanejas, isso é uma fotografia da massa e ponto! Mas a disparidade e o perfil do público começa a ser posto a prova quando vemos novos expoentes surgindo e se consolidando na diversificação sonora.

Tivemos nosso primeiro artista brasileiro a atingir a marca de cem milhões de plays no mundo todo. Não foi sertanejo, aliás muito longe disso, o cara que conseguiu essa façanha vem de outra escola, vem com outro apetite e com muita qualidade.

O DJ Alok, brasiliense que popula as mais requisitadas festas (mais de 20 por mês) no Brasil e nos principais circuitos de música eletrônica da atualidade conseguiu o feito histórico, levando a música eletrônica a outros patamares com o Hit Hear Me Now. Eu, particularmente fui apresentando ao DJ ouvindo o remix do System Of a Down que ele produziu que ficou show demais!

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Isso significa que a música brasileira mais tocada em todo mundo é uma música eletrônica, cena fortalecida por nomes que levam essa brasilidade a algum tempo nas levadas das haves e festivais da Europa, Ásia, América e também aqui em casa no Brasil.

Alguns nomes já vem fazendo muito barulho na cena nacional com presença em grandes festivais do mundo, de bate pronto cito e indico Vintage Culture, Cat Dealers e Tropikillas pra compor o time junto com Alok.

A força desse segmento não é medida pelo ECAD, não é padrão estar nas rádios mais populares nem nos programas de televisão, mas são as escolhas de mais de 100 milhões de ouvintes que tem a liberdade de ouvir o que de fato querem ouvir.

As plataformas de streaming permitiram o livre acesso ao conteúdo que me é permito por direito. A seletividade musical é um caminho sem volta onde eu e você não precisa da evidencia ou da referência de sucesso para saber o que é bom ou ruim de se ouvir, é a democracia explicita nos nossos ouvidos, é a forma mais clara de valorizar um trabalho de qualidade que permite seu público a ter acesso.

Que as rádios continuem na ativa, continuem com suas ditaduras dos jabás, continuem a ditar o que acham comercialmente viável, mas saibam que não é através dela que o mundo está conhecendo nossas novas caras, nossos novos sons e a nossa nova brasilidade.

Do Brasil pra dentro somos sertanejos, do Brasil pra fora somos eletrônicos, e assim criamos uma nova identidade, mas somente para aqueles que escolhem!