Matt Groening é um gênio que nunca abandona o seu olhar ácido e controverso. Depois de satirizar a contemporaneidade com os Simpsons e a ficção científica com Futurama ele agora se aventura criando o seu próprio universo de fantasia em Desencanto, sua nova série, agora em parceria com a Netflix. 

Nessa nova animação acompanhamos a princesa Tiabeanie,  que vive em um lugar chamado “Terra dos Sonhos”. Depois que sua mãe foi misteriosamente petrificada ela passa os dias se embebedando na taverna enquanto seu pai quer que ela aja de forma convencional e se case com um príncipe bem esquisito. Nesse ínterim ela conhece um elfo que foi expulso de seu reino porque está cansado de ser feliz o tempo todo e um pequeno demônio que só quer ver o circo pegar fogo. 

A grande diferença aqui é que o criador aproveitou o formato para colocar todos os episódios linkados uns aos outros, ao contrário de seus trabalhos anteriores, que trazem episódios independentes uns dos outros. É basicamente uma história só dividida em vários capítulos, o que é bem bacana porque permite uma evolução dos personagens ao longo da trama, especialmente a sua protagonista. A história se desenvolve de forma leve e bem humorada, com reviravoltas bastante inusitadas. 

Assim como fez em Futurama, ele faz uma paródia enquanto homenageia o gênero, trazendo uma princesa debochada e corajosa quando precisa ser, dentuça mas não feia. Todos são incrivelmente complexos com tiradas bastante inteligentes, especialmente o demônio Luci. Todo o universo criado vai sendo apresentado de forma bastante rica e detalhada, sempre aguçando a curiosidade do espectador. 

 Ao longo da narrativa vamos percebendo que nada é o que parece e várias surpresas revelarão que ninguém é inteiramente bom ou mau. A sensação que fica no final é aquele gostinho de quero mais e a sensação de que é preciso ver novamente para perceber os pequenos detalhes que muitas vezes acabam passando despercebidos e fazem uma grande diferença ao longo da história. 

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