A série animada da Netflix em questão é tão rica e complexa que fica difícil resumir a mesma em poucas palavras. Seu protagonista é Clancy Gilroy, uma criatura que mora em algum ponto do Universo com a sua cadela Charlotte, que possui uma espécie de vórtice dentro dela. Nada aqui possui uma explicação científica e esse nem é o propósito da mesma.

Clancy possui um “espaçocast” e através de um simulador ele utiliza diferentes avatares para viajar por vários planetas, sempre à procura de um papo cabeça sobre sofrimento, perdão, vida, morte, alma, consciência, religião, meditação e vários outros assuntos relacionados.

O estilo surreal e caleidoscópico dos traços e das cores lembra bastante o longa metragem Yellow Submarine dos Beatles, inclusive os debates poéticos e filosóficos. Algumas cenas, entretanto parecem ter sido tiradas do Monty Python Flying Circus, reforçando o espírito crítico e descontraído da produção.

A narrativa muitas vezes também se mostra bastante satírica, com boas doses de humor negro. No primeiro episódio vemos o protagonista entrevistando o presidente de um país enquanto o mesmo luta para sobreviver em meio a um apocalipse zumbi. Em outro momento ele debate sobre crime, castigo e redenção enquanto um detento busca fugir de um presídio.

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As discussões são bastante profundas e a sensação que fica ao final é que precisamos assistir no mínimo mais de uma vez a cada um dos episódios. O papo é realmente muito interessante e mistura todas as vertentes de filosofia com religiões orientais e citações de pensadores famosos.

Uma animação despretensiosa que discute valores universais utilizando uma linguagem poética e surreal, nos levando ao desprendimento material para enaltecer o essencial que é invisível aos olhos, como já dizia o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”.