A série de histórias em quadrinhos espanhola, criada em 1958 pelo quadrinista Francisco Ibañez para a revista Pulgarcito acompanha as desventuras dos agentes da T.I.A (Técnicos de Investigações Avançadas), uma clara paródia da CIA. A dupla se mete nas piores enrascadas graças ao azar de Salaminho e o talento inútil de Mortadelo como mestre dos disfarces.  Com eles trabalham o exigente Superintendente da T.I.A. (Vicente, mais conhecido por Super), sempre mal-humorado, o Professor Bactério com os seus inventos mirabolantes que tendem a catástrofes quando caem nas mãos erradas, e Ofélia, a secretária cujo principal passatempo é estar no lugar errado na hora errada.

O estilo cartunesco dos traços combina com as piadas que exploram o exagero das situações. As entradas secretas podem ser dentro de cartazes no muro ou dentro de placas de trânsito. São choques, explosões, um tentando arremessar uma televisão no outro, tabefes com dentes voando, enfim, humor pastelão da melhor qualidade. Isso sem contar os diálogos inspiradíssimos, que são a cereja do bolo. Tudo converge para a imersão nesse universo insólito que faz comentários ácidos a vários eventos do mundo real, como terrorismo e o intervencionismo americano.

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Os protagonistas tem as suas falhas, ocasionalmente atuando em interesse próprio quando não estão no caso por livre e espontânea pressão de seu chefe. Eles falham em muitos sentidos, o que acaba por nos aproximar deles nesse sentido. São imperfeitos, mas bem intencionados. Sentem medo, raiva, apanham (bastante), se traem. se enganam, mas no final estão sempre juntos, para o melhor ou pior.

As aventuras da dupla já foram traduzidas em várias línguas e para várias mídias, como cinema, games e televisão. A última adaptação foi para o cinema, no longa de animação em 3D intitulado Mortadelo e Salaminho: Missão Inacreditável, disponível na Netflix.