A série em quadrinhos que é um misto de paródia e homenagem ao período do Velho Oeste americano, foi criada em 1946 pelo cartunista belga Morris (pseudônimo de Mauice de Bévère) em parceria com o célebre René Goscinny, famoso criador de Asterix.

O protagonista é o típico caubói solitário, mais rápido que a própria sombra que perambula em companhia de seu cavalo Jolly Jumper, sempre com um cigarro no canto da boca (foi substituído por uma palha em 1983, o que lhe valeu o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde). Em suas andanças ele acaba encontrando muitos personagens, sendo alguns deles não fictícios como Jesse James, Calamity Jane e Billy The Kid, dentre outros.

Na galeria de vilões, certamente os Dalton ocupam o topo. Quatro irmãos gêmeos de tamanhos decrescentes, sendo o menor deles o mais engenhoso, ao contrário do maior que é o mais idiota e geralmente estraga tudo.

A personagem passou pelas mãos de vários autores e publicações e voltou a sobreviver quando, em 2001, Morris cedeu a uma embolia pulmonar. Daí em diante, e ainda hoje, é o artista francês Achdéquem continua a ilustrar as aventuras de Lucky Luke.

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Como o seu universo é o das pequenas cidades em construção, tantas vezes abandonadas no deserto, o seu heroísmo passa mais por dar uma identidade corajosa às cidades, por ensiná-las a sobreviver, do que propriamente por salvá-las. Interessa-lhe reconciliar os rivais de Painful Gulch, ensinar uma vila a não temer a criançola Billy the Kid, unir os esforços do Western Circus e do rival vaqueiro endinheirado.

Lucky Luke é um observador da América que se constrói – da elevação dos derricks à instalação do telégrafo – e também uma espécie de agente invisível dessa América.

Já foram feitas adaptações para cinema e games, além de uma série animada. Uma visão bem-humorada que ao mesmo tempo reverencia uma parte importante do processo civilizatório americano.