Fazer uma resenha sobre essa famosa série de quadrinhos criada por Frank Miller não é das tarefas mais fáceis, tendo em vista a vasta gama de personagens e assuntos tratados. Lançada originalmente em 1991 como uma história em capítulos da revista Dark Horse Presents, Sin City rapidamente se destacou.

Motivos não faltaram: ele resolveu realizar uma obra autoral, na qual poderia praticamente fazer o que quisesse na época, dada sua posição privilegiada. E essa obra ainda seguiu o caminho inverso do que vinha sendo feito no início da década de 1990: não tinha super-heróis, era em preto-e-branco (contra a onda de coloração digital que começava a tomar força), estilo noir muito bem definido e violento.

Basin City, mais frequentemente citada pelo seu apelido: Sin City (BaSin City), é uma cidade fictícia localizada numa zona desértica onde raramente chove. Ela é também conhecida pelos seus moradores: policiais, ladrões, informantes, prostitutas, vagabundos… que são como vermes que moram dentro de uma fruta estragada. Todas as histórias são situadas nessa localidade, com personagens recorrentes e histórias correlacionadas.

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Sin City acabou ganhando vários volumes, mas desde a primeira história é possível ver que Miller tinha o controle total de sua obra. Seu traço é seguro, e as coisas que consegue fazer com uma folha em branco e tinta preta não se encontram sempre. Ele abusa dos contrastes chapados, muitas vezes apenas retratando a silhueta da cidade ou dos personagens.

Outro ponto forte – o que não é novidade quando se fala de Miller – é sua impecável narrativa, praticamente cinematográfica. Seus desenhos realmente contam uma história por si só. Essa sua característica é tão marcante, que pode ser comprovada no filme homônimo, lançado em 2005, bem como a sua continuação em 2014 , tamanha a fidelidade aos traços do autor.

Mesmo tendo se passado vários anos desde seu lançamento, as histórias de Sin City continuam atuais e críveis. Justamente por isso que novas obras são lançadas, antigas republicadas e filmes estão sendo feitos. Afinal, uma boa história não tem época. Nem idade.