Twilight Zone”, ou “Além da Imaginação”, como é conhecido no Brasil, reúne um conjunto de histórias de variados gêneros como ficção científica, terror, drama, paranormalidade, distopia, futurismo, comédia ou superstição, onde pessoas tem as suas convicções colocadas em xeque-mate, quando confrontadas com uma situação específica. Acredito que essa seja a definição mais acertada, sendo que a proposta deste seriado é não ter definição nenhuma. Espere o inesperado. 

Criada em 1959 por Rod Sterling, que também apresentava e encerrava cada episódio no auge da Guerra Fria, um momento em que as pessoas viviam a paranoia comunista e a corrida espacial. Durou cinco temporadas e tornou-se um clássico instantâneo, ganhando alguns derivados sem muita importância. 

Em 1983 a série foi adaptada para o cinema e em 1985 ganhou um remake, que na verdade são apenas novas histórias mantendo a mesma pegada do original “ The New Twilight Zone”, que durou três temporadas. Em 1994 foi feito  um longa metragem para a televisão com o subtítulo: os clássicos perdidos de Rod Sterling.  

Em 2002, ganhou outro remake, com a apresentação do ator Forrest Whithaker e agora mais um em 2019, apresentado por Jordan Peele, o diretor de “Corra” e “Nós”, dois recentes filmaços de terror, embora o mesmo tenha iniciado a sua carreira como comediante ao lado de Keagan-Michael Key. 

A safra mais recente conta com dez episódios e vem pegando embalo no sucesso de “Black Mirror”, que é um derivado do seriado original, porém cuja narrativa é inspirada num viés mais tecnológico. As novas histórias abordam temas como racismo, preconceito a imigrantes, machismo, o preço de certas piadas e o eterno duelo entre o escritor e o seu material de inspiração, trazendo ainda uma discussão sobre a própria essência do programa e como ele se manteve atual através de todos esses anos. 

 

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A solidão de personagens perdidos em uma conjuntura nova e desafiadora traz uma reflexão existencial que nunca envelhece, pois a humanidade sempre estará buscando novas perspectivas da realidade e rompendo as barreiras de seu imaginário, deixando-nos vulneráveis em labirintos que inadvertidamente criamos para nós mesmos.