Desde o início dos tempos a humanidade vem criando formas de mesurar se alguém é essencialmente bom ou mau. Segundo Confúcio Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo”. Já William Shakespeare diria que “Não existe o bom ou o mau; é o pensamento que os faz assim”. Por fim existe um provérbio indígena que diz que “Dentro de nós há dois cachorros: um deles é cruel e mau; o outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando. O que ganha a briga é aquele que alimentamos mais frequentemente”.  

Que critérios são os mais justos para avaliar as nossas ações em vida para definir o nosso futuro póstumo? Essa é a discussão que permeia o seriado da NBC “The Good Place”, disponível no catálogo da Netflix. 

A comédia gira em torno de Eleanor, uma mulher extremamente egoísta que é enviada após sua morte ao Bom Lugar do título, onde são recompensados todos aqueles que foram caridosos e altruístas em vida. Percebendo que foi enviada para lá por engano e com medo de ser realocada no “Mau Lugar”, ela confessa a sua situação à “alma gêmea” que lhe foi designada, o senegalês Chidi, que em vida foi professor de filosofia e pede que ele a ajude a ser alguém melhor, a fim de realmente merecer a sua estadia naquele lugar. Mas ser uma pessoa boa no pós-morte conta pontos a favor dela ou seria tarde demais para qualquer tipo de redenção?  

Enquanto ela tenta se esforçar para melhorar a sua atitude, percebe que algumas alterações espontâneas na vizinhança estão colocando em risco os habitantes locais, como um sumidouro que brota dentro de um restaurante, camarões gigantes voadores e outras bizarrices que parecem ter saído da cabeça do escritor Douglas Adams. Toda essa confusão deixa o arquiteto Michael, responsável pelo design daquele vilarejo em estado de pavor,  que se trata do seu primeiro projeto nesse sentido. 

Quanto mais a história avança, mais se percebe que muitas coisas ali não são o que parecem e o acaso realmente não existe, como já dizia Alan Kardec. A série levanta uma questão moral que nos leva a questionar nossos próprios comportamentos, já que inadvertidamente podemos ser nocivos àqueles ao nosso redor. Levando em consideração a conjuntura em que nos encontramos, marcada pelo individualismo e falta de empatia com o próximo, ela nos conduz a uma reflexão existencial e garante boas gargalhadas.