Lázaro Júnior, 23, mais conhecido como “Carpe”, é um designer autodidata de Recife. Seus trabalhos misturam elementos geométricos, formas futuristas e a arte renascentista, tudo isso de uma forma super orgânica e criativa.

Iniciou sua carreira em 2015, trabalhando em agências de sua cidade e de São Paulo. Paralelo a isso, desenvolvia as primeiras capas de discos para seus amigos da cena local do rap. Aos poucos, os horizontes foram sendo expandidos e sua arte chegou aos outros estados. O que Carpe não sabia é que o Brasil era pequeno pra todo o seu talento.

chave mestra

Arte produzida para o grupo de rap Chave Mestra. A capa de “Novo Egito” foi uma das primeiras desenvolvidas por Carpe.

Em 2017, foi destaque na galeria de Design Gráfico do Behance, na categoria Embalagens de Música com os projetos “Asas de Ouro” e “Brecht Boundary”. Esse reconhecimento alavancou sua carreira internacional, fazendo com que hoje ele tenha clientes espalhados pelos EUA, Canadá e Alemanha.

Alguns anos atrás, cinco para ser mais exato, batemos um papo com Carpe. De lá para cá, muita coisa mudou, e é sobre isso que vamos falar com ele hoje.

Confira!

1. Você começou trabalhando principalmente com colagens e hoje seu foco são as manipulações digitais. Como foi essa transição? Foi planejado ou orgânico?

Eu sempre curti a ideia de criar cenários, ambientes. Fazer a estética de colagem me proporcionava isso até certo ponto, com o tempo e com as demandas de novos projetos, eu fui incrementando aos poucos a manipulação de imagem, porque até então minha estética ou como o público apreciava meus projetos todos eles partiam de uma colagem digital. Comecei a me profundar mais no detalhes, nas texturas, e sinto que ainda estou nesse processo migratório a manipulação.

2. Um dos maiores desafios para qualquer artista é encontrar uma estética que comunique aquilo que ele quer transmitir. Você considera que encontrou seu estilo? Como foi esse processo?

Eu considero que meus trabalhos tenham uma ligação de estilo entre eles, muitas vezes pelo uso da cor, as formas dos elementos e texturas. Eu ainda me considero em processo (haha), eu curto muito experimentar, acredito que a forma/estilo da pessoa está na sua forma de criar, de imaginar como seria tal cena, tal cenário. Meus projetos tem uma ligação entre eles, porque saem todos da mesma fonte.

“Lembro que quando eu comecei, eu não queria que as pessoas soubessem que era eu pôs trás das imagem abstratas”.

3. Ao longo de sua carreira, você teve a oportunidade de fazer a capa pra álbuns de vários artistas. Como é esse processo de criação?

Eu curto muito trabalhar com artistas do cenário musical, porque eu gosto muito de música, gosto de acompanhar processos de gravações, gosto de entender a ideia por trás do álbum, da estética que tá nascendo ali. Por vezes, eu preciso ouvir o disco, entender a proposta, para assim, canalizar isso visualmente. Tudo precisa estar alinhado à música do artista pra qual estou produzindo.

lázaro carpe design

“Grandes álbuns nasceram de grandes capas, a arte é feita pra gerar reações e isso não se distancia da música”.

4. Você é um grande fã de música, principalmente do rap, não é mesmo? A princípio, a música e o design são áreas bem distintas, mas você acha que elas se encontram em algum momento? Consegue enxergar semelhanças?

VEJA:   Modo Aleatório | Resumão Rock in Rio 2017

Na verdade, eu acredito que música e design caminham lado a lado. Música nos faz gerar imaginações, criar cenários e situações, ter um contato íntimo e sentimental às vezes. A forma de como você liga isso ao design é aonde eu particularmente acho que tudo acontece. Grandes álbuns nasceram de grandes capas, a arte é feita pra gerar reações e isso não se distancia da música. Eu sinto que quando crio algo pra o cenário musical, uma capa de disco por exemplo, eu penso que ao ouvir aquela música o ouvinte vai olhar pra capa e entender visualmente a atmosfera do disco. É uma ligação, um complemento, e a melhor junção possível.

lázaro carpe

5. Embora você tenha uma carreira curta, já conquistou alguns prêmios e trabalhou com clientes importantes. Você imaginava que chegaria tão longe?

Lembro que quando eu comecei, eu não queria que as pessoas soubessem que era eu pôs trás das imagem abstratas. Com o tempo eu fui sendo reconhecido pelos meus projetos, não acreditava que seria em tão pouco tempo, ao menos 5 anos exercendo o que faço hoje. Eu fui amadurecendo meu trabalho, entendendo aonde poderia melhorar, o que poderia fazer pra ganhar algum tipo de destaque. Mas é interessante o processo, eu tento aproveitar o que vem junto ao meu trabalho, as possibilidades que ele abre, conhecer pessoas ao redor do mundo e projetar coisas é algo que me deixa feliz.

lázaro carpe

6. Seu trabalho já foi destaque por duas vezes no Behance, uma das plataformas de divulgação artística mais respeitada do mundo. Isso contribuiu para sua carreira internacional?

Sim! O reconhecimento na galeria de design gráfico do Behance me fez ter uma visibilidade muito boa dentro da plataforma, com esse aumento também veio os projetos internacionais. O Behance hoje é uma grande vitrine de projetos, muitos estão lá procurando alguém que possa projetar suas ideias. Eu diria que seria uma grande rede social de criativos.

“Apesar de ter conquistado algumas coisas em tão pouco tempo, sinto que posso fazer mais”.

7. Um artista brasileiro e um gringo da atualidade que você admira o trabalho.

Pergunta complicada (haha), eu sempre tô admirando o trabalho de alguém, seja próximo ou do outro lado do mundo. Sempre procurando algo, sou um curioso nato. Vou citar dois nomes que conheci recentemente, mas já admiro e se tornou de certa forma uma referência pra mim: Leo Natsume e Stanislaw Szukalski.

8. E o futuro? O que pretende fazer daqui pra frente?

Atualmente, eu venho tentando startar alguns projetos e planos pessoais e em paralelo a isso venho me dedicando a manipulação de imagem. Em breve, estarei lançando alguns conteúdos na área de educação, visando alguns e-books e até mesmo a possibilidade de cursos explicando meus processo criativos. Já é algo que me pedem há um tempo e eu sinto que está na hora desse passo. Sinto que há um longo caminho que escolhi trilhar, apesar de ter conquistado algumas coisas em tão pouco tempo, sinto que posso fazer mais.

lázaro carpe