“(…) acabo de comprar uma TV a cabo,

acabo me tornando um usuário, a cabo

(…) vai NET, vem NET…”

PESQUISAR, Google O.

Tanto já se diz que o ano não começa em janeiro, que não temos alternativas que não sejam tornar essa máxima como verdade. Pois bem! Chegamos em 2019, tempos confusos no Brasil e em grande parte do mundo, nos quadros político e social – é aquele medo do incerto, que vocês já devem ter visto falar na minha coluna. Costumo sempre falar aos colegas pra não se apegarem tanto as conquistas sociais, pois, vez ou outra as perdemos nesse movimento cíclico que a humanidade sempre faz com maestria.

Como não sou crítica política e isso não passa de vão sofismo, vou me ater ao que acredito entender bem pra poder discutir e trocar informações sobre, com vocês. Espero que essa nova era da RevistaK7 nos impulsionem, escritores e leitores, a “trocarmos mais figurinhas” sobre o que mais me interessa em escrever: design, ecologia, política e afeto.

Após um grande hiato, entre turbulências coletivas e individuais, resolvi seguir com a coluna falando de esperança. Visto que, só de ser designer, já lhe diz o quanto sou esperançosa (ou talvez boba)! Acreditar em tornar lugares públicos feitos pela e para a polis se sentir representada e segura é um tanto utópico, né não? Por isso que o texto trata de design para crianças, acredito que são os únicos humanos verdadeiramente originais. Tanto se discute sobre a existência da originalidade, é na nelas que eu acredito. Educar uma pessoa nas primeiras fases da vida ainda não é certeza de integridade no futuro, mas, condicionar o comportamento do coletivo é também condicionar a conduta de uma criança ante ao mundo.

Deixem-me então expor algumas iniciativas que vi pelo Brasil e mundo afora, que me fizeram tão boba de acreditar que podemos ter uma geração por vir mais consciente dos impactos de sua própria existência, mais integrada com o meio. Libertos de uma matrix, de suas gaiolinhas/apts., como diria meu pai..

Escola Arapoti, em Santana de Parnaíba.

A escola Arapoti trabalha sempre com uma pedagogia de integração, troca de habilidades entre as equipes. A escola acredita que o aprendizado se dá pelas diferentes realidades das crianças e a troca destas, colaborando com uma formação sócio-cultural agregando troca de experiências e valores.

Waldorfe Education, Instituto com filiais em várias cidades dos E.U.A..

O instituto Waldorfe Education, uma organização que, além de aplicar o método Waldorfe – o cara das cores e memória;) – reúne diversos profissionais de todo mundo em diversas cidades norte-americanas que trabalham com habilidades que vão muito além de formar frases, ou resolver questões de matemática. Desenvolver as emoções, as habilidades sensoriais, artísticas e cognitivas das crianças, individual e coletivamente, parecem ser algumas de suas metas. E um tanto quanto místico!

CASACADABRA – Invenções para Morar

CASACADABRA é uma obra feita por arquitetas e desenhistas TODAS MULHERES, que, particularmente adoro! Dinâmico, didático, enfim, só tendo um pra saber. Além de possuir uma arte maravilhosa feita pela ilustradora Carolina Hernandes, as arquitetas brasileiras Bianca Antunes e Simone Sayegh propõem uma compreensão para crianças de apropriação dos espaços urbanos, dando à estas a responsabilidade de sua manutenção e reinvenção. Vale muito a pena.. a ideia está dando novas “crias”.

Ecobirdy – Mobiliário

A Ecobirdy é uma empresa belga que também sobre da mesma aflição que a minha aflição diária: o acúmulo do plástico e dos microplásticos que afetam não só vidas marinhas, mas também o que colocamos no prato.

VEJA:   Ilustrador recria monstros desenhados por crianças

Catástrofe criada pelo próprios ser humano é amenizada por grupos pequenos de organizações e empresas como a Ecobirdy, que transforma brinquedos velhos e plástico encontrado pelas praias em mobiliário, luminárias e novos brinquedos para crianças. Ou seja, sua função não sai de mão, retorna ao universo infantil nos deixando a noção que nada se descarta. Então, dando novo significado. Legal, né?

Tegu – Blocos Magnéticos

Desenvolvido pelo designer californiano, Nate Lau, o Tegu possui uma gama de designs de baixa a alta complexidade. Desenvolvendo habilidades de construção, cognição, trabalho conjunto, enfim, um misto de quebra-cabeças com engenharia sem um pedacinho de plástico.

Ciddy Toys – Legos

Não tão recentemente assim a loja de legos alemã, a Ciddy Toys, nos deu a opção de aguçar a nossa criatividade sem se preocupar com os microplásticos decorrendes das pequenas peças do jogo. Ele é todo em madeira e vem descolorido, caso as crianças também queiram pintar. Bem parecido com a versão toda em branco, da Lego, para arquitetos.

Toco Oco – Para Pais e Filhos com Gostos Peculiares

Posso dizer mais uma vez que adoro? Artistas brasileiros que desenham e esculpem esses bonecos controversos, cheios de mensagens ácidas sem perder o lúdico. É brinquedo pra criança grande também😁.

Ah, vale a pena conhecer o projeto Toco-oco.

Acompanhem também meu projeto com crianças e a relação com a cidade, o “Afetivicidade” que desenvolvo em parceria com outros profissionais, em Recife. Aos poucos vou publicando pelo meu Instagram e pelo @labora.multissensorial. Se você, leitor, também quiser contribuir, será muito que bem-vindo!

Vamos ser bobos juntos, e mais uma vez acreditar que a próxima geração será mais humana que a nossa. Inté