Antes de trazer a resenha de ‘Príncipe Drácula-Rastro de Sangue’, escrito por Kerrin Maniscalco e publicado pela editora Darkside, deixe-me falar brevemente sobre o primeiro volume da série ‘Jack o Estripador-Rastros de Sangue’.

Numa Londres de 1888, assassinatos estranhos acontecem, uma mulher é encontrada morta e depois outra e mais outra. Audrey, uma jovem mulher que prefere passar seus dias fazendo autópsias em um cadáver a beber chá como outras da sua idade, juntamente com seu tio e um aluno dele, Thomas, começam a examinar os corpos em busca de padrões para a identificação do assassino.

A frequência dos assassinatos aumenta, cartas assinadas por Jack Estripador caem na mão da polícia, a instabilidade toma conta e eles começam a prender qualquer pessoa que seja minimamente suspeita.

Munidos das habilidades forense e executando muitas vezes o trabalho da polícia, Audrey e Thomas vão à procura do assassino.

As narrativas dos livros são independentes, mas há referências ao acontecido no livro anterior o que acarreta em um grande spoiler.

Poucas semanas se passaram após o encerramento do caso do Jack Estripador, e Audrey finalmente consegue estudar fora do país, acompanhada do seu amigo e colega, Thomas, eles pegam o expresso do oriente rumo a Academia de Medicina e Ciência Forense situada no Castelo de Bran, Transilvânia, Romênia.

Audrey, como sempre é tratada com indiferença por ser mulher e muitas vezes julgada como incapaz só por usar saiais, e nunca é tratada como igual perante aos seus colegas do sexo masculino.

“Embora não houvesse antecedentes de mulheres estudando medicina ou ciências forenses, ele claramente não era o tipo progressista que gostaria de ter seu clube dos meninos invadido por mulheres e suas rendas. Mulheres que obviamente não sabiam que seus devidos lugares eram dentro de casa, e não em um laboratório médico.”

As aulas além de pratica abordavam assuntos como lendas e mitos locais, o que para todos os alunos do curso não passavam de uma grande perda de tempo, mas para nós leitores é o que torna o livro tão rico e imersivo.

Durante vária dessas aulas nós somos apresentados a realeza sangrenta de Vlad Drácula, O Empalador, Elizabeth Báthory e toda a sua família sanguinária que reinou por um bom período. Os equivalentes locais de vampiros e lobisomens são chamados de Strigoi e Pricolici. E claro que não podia faltar uma sociedade secreta, A Ordem do Dragão, que protegia a família real e todas as famílias nobres importantes.

“…eles foram uma sociedade secreta composta por uma seleta nobreza e são frequentemente chamados de Societas Draconistrarum, ou, em tradução aproximada, Sociedade dos Dragonistas. Eles lutavam para preservar certos valores durante os tempos de guerra e invasões. Sigismundi, rei da Hungria, usou os cruzados como modelo quando fundou o grupo.”

Os estudos das lendas mostram-se importantes quando uma série de assassinatos começam a dar indícios da volta do Príncipe Drácula, assustam os camponeses e a guarda real, os mais céticos, como nossos protagonistas acreditam que há uma explicação lógica para a isso, recorrendo a ciência em vez do misticismo.

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As mortes não tem um padrão, não segue uma lógica e os corpos começam a aparecer drenados e empalados, tudo começa a ficar mais complicado quando a morte chega ao Castelo de Bran, que uma vez foi residência do Príncipe em pessoa.

Contrariando todas as regras imposta pelo Diretor Audrey e Thomas precisam investigar as mortes, mesmo que para isso eles sejam expulsos ou mortos, o que vier primeiro. Para eles nada mais importa.

“Regras são restrições designadas por homens privilegiados.”

O que mais me encantou nesse livro, além da premissa feminista e além do tempo da protagonista foi a química entre ela e Thomas que além de se aceitarem, ele a aceita como igual, ele não deixa de fazer piadas o tempo todo, sempre em desrespeito a situação que ela se encontra. Claro que isso já ocorria no primeiro livro, mas ele ganha mais intimidade e acaba tornando-se o alivio cômico em situações mais pesadas e constrangedoras.

A autora ao final de cada livro faz questão de explicar as referências e as liberdades históricas e narrativas para criação do enredo, então nem tudo de fato existia naquela época ou existiam e foram retiradas para a constituição da obra literária em si.

Se me perguntarem qual dos dois foi meu preferido, com certeza foi o segundo por me fazer viajar a Romênia.