Há quase 18 anos, a família Richthofen estampava as capas dos jornais e revistas em todo o país. Suzane, que na época tinha 18 anos, assassinou os pais, Marísia e Manfred, com a ajuda do namorado e do cunhado, conhecidos como os irmãos Cravinho.

Intrigado com o crime, considerado um dos mais crueis do Brasil, o jornalista Ullisses Campbell resolveu investigar o caso e obteve revelações inéditas sobre Suzane von Richthofen, a assassina mais famosa do país.

Os mais de três anos de pesquisa se transformaram em livro, que acaba de ser lançado. “Suzane: Assassina e Manipuladora”, editado pela Matrix, conta com 280 páginas e revela tudo que o jornalista descobriu nesses anos de investigação.

Para construir o livro, Campbell entrevistou  colegas de prisão dos réus, agentes de segurança, psicólogos forenses e analisou mais de 6 mil páginas do processo penal de Suzane. Ele também falou com Cristian Cravinhos, ex-cunhado de Suzane, e tentou conversar com a própria assassina, que se recusou a dar depoimentos e recorreu na justiça para o livro não ser publicado.

Sueli Zeraik Armani, juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo, disse que a obra não era de interesse público e “traria prejuízo irreparável à imagem de Suzane von Richthofen”. No entanto, a censura durou 37 dias. No dia 18 de dezembro, Alexandre Moraes, ministro do Supremo Federal, decretou que a proibição fosse retirada.

“De imediato, iluminado somente pela luz da rua, vi o corpo de um homem deitado na cama com a barriga virada para cima, as pernas cruzadas e uma toalha cobrindo a cabeça. O braço direito estava estendido para o chão em direção a uma arma calibre 38 caída no solo, próxima à mão dele. Faltava uma bala no tambor da arma. Logo pensei em suicídio. Acendi a luz e vi o segundo cadáver enrolado em um lençol com a cabeça ensacada. Havia algumas joias espalhadas pelo tapete”, disse um policial em depoimento divulgado por Campbell e que se encontra no livro.

VEJA:   Foram encontradas gravações perdidas de Bob Marley em porão de hotel

Em entrevista ao UOL, o jornalista contou detalhes sobre a obra, além de como é a vida atual da assassina, que permanece presa cumprindo seus 39 anos e seis meses de prisão, sem direito ao regime aberto

Segundo ele, Suzane recebe um salário mínimo trabalhando na prisão como coordenadora da oficina de costura. Ela ainda possui R$ 120 mil pagos por Gugu para dar-lhe uma entrevista e também um apartamento de R$ 1 milhão deixado pela avó paterna.

“Ela continua se cercando de pessoas violentas. Além da pedófila [Suzane está casada com o irmão de um presa sentenciada a 29 anos porque junto com o marido e o amante estupraram suas duas irmãs gêmeas de três anos] e da mulher que matou o enteado, ela namorou uma homossexual conhecida como Sandrão, que sequestrou e matou o filho de uma amiga. Sandrão já tinha se relacionado com Elize Matsunaga, do caso Yoki, que esquartejou o marido”, contou na entrevista.

Ele também contou sobre os testes de violências pelo qual Suzane é submetida. “Quando perguntada se sente remorso, ela diz que sim. Mas o motivo do suposto arrependimento entrega sua mente conturbada. Ela diz: ‘perdi a melhor fase da minha vida na cadeia. Eu podia ter estudado, ter uma profissão, construído uma vida’. Suzane computa os assassinatos como um prejuízo pessoal. E em um dos testes, tentou seduzir o psicólogo. Em outro, foi pega numa fraude”.